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Entrevista por:
Jornal Vale Paraibano |
Shirley Carvalho
Cantora que ficou em segundo lugar no
programa 'Ídolos' acaba de voltar de Nova York cheia de planos
São José dos Campos
Vinícius Novaes
Uma batida de leve no grande portão cinza, feito de
ferro, de sua casa, na Vila Tesouro, em São José dos Campos, é um sinal para que
Shirley Carvalho venha nos receber. Com uma roupa simples, cabelos amarrados com
uma faixa e sorriso bem largo no rosto, a jovem cantora diz um "bom dia" de quem
vive a realidade de algo que desejou praticamente a vida toda.
Shirley, 30 anos, está prestes a gravar o seu primeiro CD, que será
divulgado por todo o Brasil. Esse é o fruto das boas apresentações que fez no
programa "Ídolos", do SBT, que lhe rendeu um segundo lugar com gosto de campeã.
Mas nem mesmo a felicidade que a cantora vive atualmente a fez revelar
alguns mistérios sobre a vida pós-Ídolos. O primeiro CD da cantora, que começou
sua vida artística em corais de igrejas em São José, ainda é segredo. "Queria
contar tudo, mas ainda não posso", disse em entrevista exclusiva ao
valeparaibano.
Você acabou de voltar da viagem de Nova York. Como foi passar uma semana
lá?
A viagem para Nova York, na verdade, foi um prêmio da Unilever para as
duas finalista do programa "Ídolos". E nós combinamos de ir juntas para os
Estados Unidos. Cheguei na última terça-feira. Foi maravilhosa a viagem. Eu e a
Thaeme (Marioto) temos uma relação tranqüila, muito boa, apesar de termos
competido na final do programa, somos amigas. Não tem por que sermos inimigas só
porque ela ganhou. Mas a viagem foi muito boa. Lá tive a oportunidade de
assistir musicais maravilhosos. Muito legal mesmo. Foi uma viagem inesquecível.
O que mudou na sua vida após o programa "Ídolos"?
A mudança é gradativa. É muito bacana porque ganhei uma projeção bem
legal. As pessoas me param na rua para tirar fotos, conversar comigo e pedir
autógrafo. As pessoas, às vezes, levam um susto quando me vêem andando nas ruas.
Aí elas perguntam: "Nossa, você está aqui? Você anda na rua?". É muito
engraçado. Eu sempre me vi muito normal, sempre. Em todas as coisas que eu
sempre fiz, todos os contatos que eu sempre tive, todos os artistas que sempre
conheci. Eu sempre me vi a Shirley de sempre mesmo. Mas para as pessoas eu sou
uma pessoa diferente. Acho tudo muito bacana. Eu adoro isso.
Você foi convidada para gravar um CD. Como estão as gravações?
Estamos escolhendo o repertório ainda e a partir da semana que vem
teremos uma boa notícia, porque por enquanto não podemos divulgar nada. Mas o CD
vai sair mesmo. Eu estou mais feliz porque vai sair um trabalho maravilhoso com
participações especiais, que ainda não posso contar por causa do contrato com a
gravadora. Posso dizer que o estilo do meu novo trabalho não será nada muito
popular, mas vai ser algo meio terno, com black mais popular.
Você se sente mais vitoriosa com o segundo lugar levando em conta que
você vai poder gravar um CD e se apresentar em qualquer programa de todas as
emissoras, ao contrário da vencedora do "Ídolos"?
Não por estar presa ao SBT, porque os programas são deliciosos. Mas o
vencedor do programa "Ídolos" pode se apresentar somente em programas da casa.
Mas eu vou poder participar de todos os programas de todas as emissoras. Eu vou
poder fazer tudo, sem qualquer tipo de restrições.
Em 2004, você ganhou o concurso de calouro do programa Raul Gil. O prêmio
seria a gravação de um CD, mas isso não aconteceu. E como você se sente?
Essa parte da gravação do CD que o Raul Gil ofereceu como prêmio é igual àquela
música do Jota Quest. "Quer saber, já foi" (risos). Já passou. Eles não gravaram
e ponto final. Não me incomoda falar sobre isso, absolutamente. Não aconteceu.
Não por minha culpa, nem por culpa de ninguém envolvido comigo. Simplesmente
eles não gravaram. Cada pessoa, cada emissora, cada programa têm os seus
critérios e sabiam o que estavam sabendo. E eles sabiam disso. Se eles tivessem
me gravado eu não teria participado do "Ídolos"e não estaria gravando um CD
hoje. Eu acredito muito em Deus. Ele faz a coisa certinha e essa é a minha hora.
Como você lidou com o preconceito de algumas pessoas na reta final do
programa?
Primeiro que falar de minha cor é querer me irritar ainda mais. Pode
falar o que quiser, dizer que sou feia, agora não fale da minha cor. Sou
totalmente contra qualquer tipo de preconceito. Não gosto. Não podemos medir o
valor das pessoas pela cor da pele. Eu tenho muito orgulho em dizer que sou uma
cantora brasileira e negra. Ponto. Quem gosta bem. Quem não gosta, não posso
fazer nada. Fiquei sabendo disso tudo quando acessei a internet quando cheguei
de São Paulo e vi a campanha contra que fizeram para mim. Eu não acreditei,
porque eram coisas pesadíssimas. Eles faziam referência a mim, como negra, como
se isso fosse perjorativo. Eu surtei. Achei um absurdo tudo isso por causa de
minha cor. Achei muito feio, porque no Brasil ainda existe esse preconceito. Por
que uma cantora negra não pode fazer sucesso?
Créditos: Jornal Vale Paraibano