ENTREVISTAS

Entrevista por: Jornal Vale Paraibano
Entrevista feita no dia 29 de setembro de 2007


Shirley Carvalho Cantora que ficou em segundo lugar no programa 'Ídolos' acaba de voltar de Nova York cheia de planos São José dos Campos
Vinícius Novaes

  Uma batida de leve no grande portão cinza, feito de ferro, de sua casa, na Vila Tesouro, em São José dos Campos, é um sinal para que Shirley Carvalho venha nos receber. Com uma roupa simples, cabelos amarrados com uma faixa e sorriso bem largo no rosto, a jovem cantora diz um "bom dia" de quem vive a realidade de algo que desejou praticamente a vida toda.

  Shirley, 30 anos, está prestes a gravar o seu primeiro CD, que será divulgado por todo o Brasil. Esse é o fruto das boas apresentações que fez no programa "Ídolos", do SBT, que lhe rendeu um segundo lugar com gosto de campeã.

  Mas nem mesmo a felicidade que a cantora vive atualmente a fez revelar alguns mistérios sobre a vida pós-Ídolos. O primeiro CD da cantora, que começou sua vida artística em corais de igrejas em São José, ainda é segredo. "Queria contar tudo, mas ainda não posso", disse em entrevista exclusiva ao valeparaibano.

  Você acabou de voltar da viagem de Nova York. Como foi passar uma semana lá?

  A viagem para Nova York, na verdade, foi um prêmio da Unilever para as duas finalista do programa "Ídolos". E nós combinamos de ir juntas para os Estados Unidos. Cheguei na última terça-feira. Foi maravilhosa a viagem. Eu e a Thaeme (Marioto) temos uma relação tranqüila, muito boa, apesar de termos competido na final do programa, somos amigas. Não tem por que sermos inimigas só porque ela ganhou. Mas a viagem foi muito boa. Lá tive a oportunidade de assistir musicais maravilhosos. Muito legal mesmo. Foi uma viagem inesquecível.

  O que mudou na sua vida após o programa "Ídolos"?

  A mudança é gradativa. É muito bacana porque ganhei uma projeção bem legal. As pessoas me param na rua para tirar fotos, conversar comigo e pedir autógrafo. As pessoas, às vezes, levam um susto quando me vêem andando nas ruas. Aí elas perguntam: "Nossa, você está aqui? Você anda na rua?". É muito engraçado. Eu sempre me vi muito normal, sempre. Em todas as coisas que eu sempre fiz, todos os contatos que eu sempre tive, todos os artistas que sempre conheci. Eu sempre me vi a Shirley de sempre mesmo. Mas para as pessoas eu sou uma pessoa diferente. Acho tudo muito bacana. Eu adoro isso.

  Você foi convidada para gravar um CD. Como estão as gravações?

  Estamos escolhendo o repertório ainda e a partir da semana que vem teremos uma boa notícia, porque por enquanto não podemos divulgar nada. Mas o CD vai sair mesmo. Eu estou mais feliz porque vai sair um trabalho maravilhoso com participações especiais, que ainda não posso contar por causa do contrato com a gravadora. Posso dizer que o estilo do meu novo trabalho não será nada muito popular, mas vai ser algo meio terno, com black mais popular.

  Você se sente mais vitoriosa com o segundo lugar levando em conta que você vai poder gravar um CD e se apresentar em qualquer programa de todas as emissoras, ao contrário da vencedora do "Ídolos"?

  Não por estar presa ao SBT, porque os programas são deliciosos. Mas o vencedor do programa "Ídolos" pode se apresentar somente em programas da casa. Mas eu vou poder participar de todos os programas de todas as emissoras. Eu vou poder fazer tudo, sem qualquer tipo de restrições.

  Em 2004, você ganhou o concurso de calouro do programa Raul Gil. O prêmio seria a gravação de um CD, mas isso não aconteceu. E como você se sente?

Essa parte da gravação do CD que o Raul Gil ofereceu como prêmio é igual àquela música do Jota Quest. "Quer saber, já foi" (risos). Já passou. Eles não gravaram e ponto final. Não me incomoda falar sobre isso, absolutamente. Não aconteceu. Não por minha culpa, nem por culpa de ninguém envolvido comigo. Simplesmente eles não gravaram. Cada pessoa, cada emissora, cada programa têm os seus critérios e sabiam o que estavam sabendo. E eles sabiam disso. Se eles tivessem me gravado eu não teria participado do "Ídolos"e não estaria gravando um CD hoje. Eu acredito muito em Deus. Ele faz a coisa certinha e essa é a minha hora.

  Como você lidou com o preconceito de algumas pessoas na reta final do programa?

  Primeiro que falar de minha cor é querer me irritar ainda mais. Pode falar o que quiser, dizer que sou feia, agora não fale da minha cor. Sou totalmente contra qualquer tipo de preconceito. Não gosto. Não podemos medir o valor das pessoas pela cor da pele. Eu tenho muito orgulho em dizer que sou uma cantora brasileira e negra. Ponto. Quem gosta bem. Quem não gosta, não posso fazer nada. Fiquei sabendo disso tudo quando acessei a internet quando cheguei de São Paulo e vi a campanha contra que fizeram para mim. Eu não acreditei, porque eram coisas pesadíssimas. Eles faziam referência a mim, como negra, como se isso fosse perjorativo. Eu surtei. Achei um absurdo tudo isso por causa de minha cor. Achei muito feio, porque no Brasil ainda existe esse preconceito. Por que uma cantora negra não pode fazer sucesso?

Créditos: Jornal Vale Paraibano

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